O Nosso “Raloin” é Caipira – 31 de Outubro dia do “SACI”

No Brasil o “Raloin” é CAIPIRA porque temos a nossa própria assombração, voce se lembra daquela figura que tem uma perna só, sacana, defensor das matas, fumador de pito, com gorrinho vermelho, ta sempre aprontando por ai, no meio do redemoinho: sim é ele mesmo, no Brasil dia 31 de Novembro, é dia do SACI.

Em Tupi Guarany – SACI quer dizer “Irriquieto”

Os Defensores

Um grande responsável por manter viva nos dias atuais da “crença” no SACI é uma  sociedade que acredita e se compromete a manter viva a imagem deste representante genuinamente Brasileiro: A Sociedade dos Observadores do Saci – SOSACI


Por que “raloins”, duendes e gnomos? Nós, brasileiros, temos nossos próprios mitos, que não ficam nada a dever a esses importados, comerciais, que são usados para anestesiar a auto-estima do nosso povo. Respeitamos os mitos dos outros, mas não queremos que eles sejam usados pela indústria cultural como predadores dos nossos. Cada vez mais, muitos brasileiros começam a compreender isso.  Uma  prova é a onda de adesões que a Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) vem recebendo de vários pontos do país. O Saci, a Iara, o Boitatá, o Curupira, o Mapinguari e muitos outros brasileiros legítimos estão aí para serem festejados, sem espírito comercial, como nossos legítimos representantes no mundo do imaginário popular e infantil.
Viva essa turma boa!

O Dia do Saci consta do projeto de lei federal nº 2.762, de 2003 (apensado ao projeto de lei federal nº 2.479, de 2003), elaborado pelo então líder do governo Aldo Rebelo (PCdoB – SP) e Ângela Guadagnin (PT – SP) com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao “Dia das Bruxas“, ou “Halloween”, da tradição cultural dos Estados Unidos da América. Propõe-se seja celebrado em 31 de Outubro. Anteriormente, consta que iniciativas semelhantes já tinham sido aprovadas na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara Municipal de São Paulo.

Lei do SACI

A SOSACI fica em São Luiz do Piraitinga e mantem uma exposição permanente noMuseu afro Brasileiro – SP com peças da sua coleção.

Estátua do Saci em exposição no Museu Afro Brasileiro - SOSACI

fotos dos Sacis expostos

Museu Afro Brasil

As várias faces do Saci?

Em seu livro Conversas ao pé do fogo, Cornélio Pires deixou-nos este retrato do endiabrado saci:

“É um molequinho deste porte… risonho e cavorteiro como ele só… Tem de uns pretinho e já hai de uns mulatinho, mestiço de saci português, que us buava truxero pro Brasir no tempo de dante. Tem uma perna só, os óios aceso, sempre reganhado airrindu, mostrano os dente, pulano, granfino e desfrangino a testa, topetudinho cumo mico… É levado da breca e gosta de brincá de vira-mundo no rodamuinho de poêra c’o vento… PRa caçar os tár é perciso fazê um laço de rosário. Moram sempre em cima dos morão das portera e nas encruziada. Cavaleiro que passá na meia-noite de sexta-feira, já sabe: o tarzinho amunta na garupa e garra a fazê cosca que dexa um vivente por nada. O gosto do saci é amuntá e judiá dos animar no pasto, galopeano e trançano a crina. O reméde é marrá um dente de áio no cedenho do cavalo. Im burro eles num munta: são tosado”.

Ilustração do saci sobre um cavalo trançando sua crina

Não há país do mundo que não tenha incorporado a seu folclore e à sua própria vida, lendas e histórias fantásticas criadas na imaginação do povo. Embora a grande maioria seja de caráter internacional, como as crenças a respeito do lobisomem, dos vampiros e fantasmas de toda ordem, há algumas que têm características tipicamente regionais, originadas que foram do modo de vida em cada lugar.

No Brasil, por exemplo, embora as lendas variem acentuadamente de região para região, em todas pode ser encontrada o que os psicólogos chamam de “busca de uma ilusão” que, segundo a voz popular, “não faz mal a ninguém”.

Assim, o negrinho do pastoreio, do Rio Grande do Sul, o uirapuru, do Amazonas, o caipora, da região do Rio Negro e Pará, o saci pererê, da região leste e o boitatá, também do sul, são alguns dos mitos brasileiros já incorporados à música e à literatura do país.

A figura do Saci a princípio surge como um ser maléfico, mas pode ser somente brincalhão ou gracioso, conforme as versões comuns no sul do Brasil. Na Região Norte, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também, da cultura africana, o pito e o cargo de Defensor das matas se misturando á figura de Oassain. Veio da mitologia européia, o píleo, um gorrinho vermelho usado pelo lendário trasgo.

Na cultura afro, a imagem de Ossain é sincretizada com o Saci, devido ao fato do Orixá ser o defensor do poder que vem das folhas.

Todos os sacis reunidos através da tradição oral

O primeiro escritor a se voltar de verdade para a figura do Saci-Pererê foi Monteiro Lobato, que realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal O Estado de São Paulo com o título de “Mitologia Brasílica – Inquérito sobre o Saci-Pererê“, Lobato colheu respostas dos leitores do jornal que narravam as versões do mito, no ano de 1917. O resultado foi a publicação, no ano seguinte, da obra Saci-Pererê: resultado de um inquérito, primeiro livro do escritor. Depois o Saci assim como seus amigos da mata viraram personagem do célebre Sítio do Pica Pau Amarelo. O Inquérito pode ser encontrado nas livrarias em sua nova edição de 2008 comemorando seus 90 anos.

Monteiro Lobato nosso defensor da fantástica tradição oral

Segundo o estudioso: Luís da Câmara Cascudo

O inquérito fora feito no estado de São Paulo. Depoimentos inúmeros evocaram o saci unípede, pretinho, com um só olho, atrapalhando todas as coisas vivas, assobiando e assombrando. Um traço característico era a carapuça vermelha que o usa o saci no cimo da cabecinha inquieta. Essa carapuça é encantada. Faz o saci ficar invisível. Todas as “forças” vêm desse barrete. Quem lho arrebatar terá direitos completos sobre o negrinho poderoso. Poderá exigir o que quiser. O saci dará riquezas, poderios, grandezas, para que lhe restituam a carapuça. O sr. Luís Fleury, de Sorocaba, prestou depoimento dessas tradições. Narrou que o saci fizera aparecer um monte de moedas de ouro para receber seu barretinho. O ouro sumiu-se porque o viajante esquecera de benzê-lo (Inquéritos, 180).

Publicado no site: Revista Jangada Brasil

O Saci vira astro da TV, Documentário e quadrinhos:

Com a transposição dos textos de Lobato para a Televisão, o Saci deixou o imaginário para ser personificado numa figura de carne e osso e sua imagem se firmou com grande alcance e simpatia do público.

Existe um documentário sobre o Saci feito por Sylvio do Amaral Rocha e Rudá K. Andrade. Somos Todos Says refaz o caminho do Inquérito de Lobato e resignifica o mito hoje. Fruto de longa pesquisa em comunidades rurais, vilas e pequenas cidades do Vale do Paraíba, Vale da Ribeira e da região de Botucatu, o filme dá voz a pessoas que dizem ter visto ou ouvido sacis. Rudá e Sylvio ficaram um ano e meio na realização do projeto, reduzindo o material recolhido para 50 minutos. A pré-estréia de “Somos todos Sacys” ocorreu no MIS, em 27 de abril de 2005. Dois dias depois, foi exibido pela Rede STV (Sesc Senac).

Somos todos Sacys – Vídeo

Ziraldo não criou apenas um personagem, mas uma turma essencialmente Brasileira a Turma do Pererê, com aventuras pra lá de fantásticas.

Como prender o “Danado”

Temido por alguns, que vêem nele uma entidade maléfica, o saci pererê tem sido através dos séculos, o motivo de alegria e zombaria para a garotada que sai à sua procura em dias de ventania.

Conta a lenda que nesses dias, quando há redemoinhos de poeira e folhas secas, o saci aparece no meio deles, dando gargalhadas e assobiando. Embora jamais alguém o tenha conseguido, afirmam os supersticiosos que, quem um dia prender o saci e colocá-lo sem o seu gorrinho dentro de uma garrafa bem fechada e com uma cruzinha na rolha, terá para sempre seus pedidos atendidos por um ente humilde e obediente. Mas, é importante que se tire o gorrinho vermelho, origem de toda a força do tal negrinho.

A forte imagem do saci será sempre eternizada por aqueles que acreditam em sua existencia.

Bom, voce acreditando ou não, o danado Saci existe, muita gente já viu, já ouviu seu assobio, já riu muito e  já sofreu com suas brincadeiras, outros o tem guardado numa garrafa. Acreditar no Saci é manter vivo dentro de si o “encantamento”, a tradição do nosso povo, a nossa cara Caipira.

Em tempos de Sustentabilidade, evocamos nosso maior representante defensor das matas  pra pra dar um baita susto naqueles que querem, de forma absurda e insensível, destruir nossas matas e o poder que vem das nossas folhas.

Salve o Saci

Saiba mais:

Manifesto do Saci – ou – Manifesto Antropofágico Revisitado –

Quer se aprofundar mais no assunto:

Bibliografia sobre o Saci

O Blog saci urbano recebe e publica fotos de Grafites com o perneta.

iva essa turma boa!
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3 Respostas para “O Nosso “Raloin” é Caipira – 31 de Outubro dia do “SACI”

  1. Ótimo artigo. Infelizmente, nossa cultura não tem a devida valorização, fruto de uma política mal feita e pouco preocupada com o crescimento intelectual de nossas crianças. O Dia do Saci até pode ter sido decretado, mas as lojas continuam cheias de abóboras e bruxas. E Monteiro Lobato foi proibido nas escolas, por ter “conteúdos racistas” no texto. Ahã… então tá.
    Felizmente, há pessoas como você, preocupada em valorizar nossas raízes e promover a cultura nacional. Este blog é um excelente veículo para isto e espero que receba cada vez mais visitantes.
    Abraço!

  2. Pingback: Monteiro LObato – Um ilustre brasileiro « Celophane Cultural·

  3. Pingback: Cia das Mães·

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