Uma “Casa Grande” cheia de Cultura, Memória e Educação.

O Celophane Cultural vai a Nova OLinda conhecer uma Casa Grande, grande devido ao seu valor cultural, social e de preservação da Memória de um povo.

Logo da Fundação - foto: AUGUSTO PESSOA


A Casa Grande da Fazenda Tapera, no Sertão do Cariri, é uma escola de gestão cultural, hoje  Fundação Casa Grande é sem dúvida uma das ações culturais mais transformadoras de nosso país. Não é por acaso, que é POnto de Cultura e várias vezes premiada no Brasil e no exterior. Ordem do Mérito Cultural e medalhas de Mérito de vários estados brasileiros. Também, Chindren’s World, Unicef, Fellow, entre tantas.

A famosa fachada azul simbolo da fundação - Foto Divulgação

Praça central da fundação - Foto Jefferson Duarte

Possui programas voltados para memória, artes, comunicação e turismo. Conta com laboratório de conteúdos com gibis, CDs, DVDs, informática. Laboratório de produções com rádio, TV, teatro e editora; pesquisa arqueológica, lendas e mitos do Araripe e um Memorial do Homem Kariri.

Além do trabalho com os meninos a Fundação é muito presente no dia a dia da pequena Nova OLinda

A fundação é um lugar maravilhoso de se estar, vivo, pulsante e alegre - foto: AUGUSTO PESSO

Os Produtos embalados prontos para o Mercado

São palestras, espetáculos, cursos e até consultoria. Tudo num círculo virtuoso que vai e volta sempre para a gente cearense de Nova Olinda. Mas, vale ressaltar, com impactos profundos com o seu exemplo e resultados para toda nossa cultura popular.

O caldeirão Cultural chamado Cariri:

O Cariri é localizado na Chapada do Araripe delimitada geograficamente por três estados: Ceará, Pernambuco e Piauí. Conhecido como terra do Padre Cícero, é um oásis no centro do seco sertão nordestino, lugar que foi habitat de populações humanas desde a pré-história, herdando dos seus primeiros habitantes, os índios Kariri, o seu nome regional, de quem herdou também a herança em patrimônio material e imaterial. A região é fortemente marcada pela presença de mitos, lendas, rituais, festas, religiosidade, música, danças, grutas com expressões gráficas rupestres, santuários entre outras formas de riqueza e patrimônio cultural.

Pioneiro da conquista do sertão do Ceará, o Cariri foi colonizado por baianos da Casa da Torre de Garcia D’Avila que ocuparam as terras indígenas com a pecuária que ali introduziu a civilização do couro no final do século XVII.

Expedição Caminhos da Chapada

A Casa Grande tem origem no Ciclo do Couro entre os séculos XVII e XVIII no nordeste brasileiro. Na década de 70, a Casa Grande foi abandonada e se transformou em ruínas. Em 1983 Alemberg Quindins e sua esposa Rosiane Limaverde, iniciaram uma pesquisa de campo coletando lendas regionais para comporem músicas que resgatassem a pré-história do homem Kariri. Em suas andanças pelo sertão, além de várias lendas, foram desvendando todo um acervo arqueológico.

EXpedito Seleiro - um dos mais famosos artitas do couro de Nova Olinda - seus trajes já foram utilizados em várias séries de TV e no cinema foto: Tereza Raquel

Em 1992 resolveram restaurar a velha casa grande da Fazenda Tapera, para dentro, funcionar o Memorial do Homem Kariri. A casa foi tombada como patrimônio histórico municipal e foi criada a Fundação Casa Grande.

A pré-história foi relacionada com a vida dos moradores, orientando-os na preservação, e surgiu a idéia de deixar que as crianças escrevessem as legendas, a fim de que a exposição ficasse mais inteligível para todos. Mas a Casa era muito grande e havia espaço para mais atividades.

E as necessidades eram maiores ainda. Os jovens queriam produzir música. Foi montada uma banda – uma não, algumas. Faltava cinema, montaram uma videoteca. Faltavam livros, montaram uma biblioteca. Faltava teatro, construíram um teatro. Tudo muito simples e utilizando apenas os recursos de que dispunham, mas feito com muito esmero (como na música de Vinicius) e com tudo que um bom centro cultural precisa: cenotecnia, equipamento de iluminação, som, bancos na platéia, área de descanso. Com um museu de qualidade próximo de casa, bandas de música, oferta de filmes que não passam na TV, livros que dificilmente chegariam ao vale e teatro, os moradores quiseram mais. Emissora de rádio, internet, TV local.

foto da antigaCasa Grande da fazenda Tepara - reprodução

Nas paredes da casa a Memória de seus moradores ainda permanece com fotos flores e altares como se eles abençoassem esta iniciativa tão importante para NOva Olinda.

Altar no interior da casa, tradição nordestina - com as fotos da familia que viveu ali protege a Fundação Casa Grande - Foto: Jefferson Duarte

Cada cômodo da casa tem o nome de um dos moradores, uma forma de respeito a quem viveu ali e de alguma forma abençoa a existencia da Fundação - Foto: Jefferson Duarte

Hoje a Fundação Casa Grande trouxe o Cariri para o mapa maior da nossa Cultura com C maiúsculo, respeitando suas tradições, respeitando seu povo e oferecendo a cultura como meio e fim de um trabalho que inova e resgata o melhor do Brasil.

Logo do Memorial do Homem Kariri - foto: AUGUSTO PESSOA

Algumas das ações reconhecidas e premiadas:

A banda: Os Cabinha

Eles têm entre 9 e 11 anos, e estão em turnê. Os Cabinha é a terceira geração da banda de lata da Fundação Casa Grande, que toca com seus instrumentos de brinquedo, construídos por eles mesmos.

No show, o repertório é de rock, ou melhor, uma sátira a ele. Eles brincam com o “mundo rock” adulto, imaginando que estão tocando, enquanto a platéia acredita que está ouvindo. A postura é ainda de menino de interior, ou cabinha, como chamam os pequenos “Caba” (referência a homem) no sertão do Cariri.

Ao longo dos anos, os meninos da bandinha, que tem tradição de iniciação musical, se apresentaram ao lado de nomes como Lobão e Arnaldo Antunes, além da participação no espetáculo Mãe Gentil, de Ivaldo Bertazzo, com Zeca Baleiro. Também foram personagens do documentário Música do Brasil, de Belisário Franca.

Em abril de 2008 essa nova geração, formada por Arthur, Iêdo, Momô, Renê e Rodrigo se apresentou no palco do Itaú Cultural, em São Paulo. Selecionados pelo projeto Rumos, foram as únicas crianças a participar do projeto. Considerada uma das melhores formações, eles puderam contar com a tecnologia do estúdio da Fundação para gravarem seu primeiro cd, em que cuidam de todas as etapas: da composição das músicas à gravação em si.

Banda já conhecida internacionalmente "os Cabinha" - Foto: João Paulo Maropo

Com suas guitarras e baixos feitos de madeira, acompanhadas de percussão e bateria compostas de latas, Os Cabinha, como bem identificou o músico Maurício Pereira, deseletrificou o rock, tantos anos depois do rock ter eletrificado a guitarra.

Preservação:

A Fundação Casa Grande vem desenvolvendo uma proposta de educação patrimonial unindo educação e pesquisa através de um dinâmico e sistemático programa de formação, trabalhando para a identificação dos bens culturais de natureza material e imaterial, os sítios arqueológicos e mitológicos do Cariri com objetivo de manutenção de um banco de dados que revela o património cultural e a evolução da ocupação humana na Chapada do Araripe em sua pré-história, servindo de instrumento para a aplicação das políticas públicas de preservação nacional.

crianças na capacitação sobre os antepassados indios kariris - Foto João Paulo Maropo

OUtra iniciativa da Fundação é a Oficina de Revitalização de Fachadas

Preservar a memória e a identidade cultural da comunidade através da restauração casas do sertão, suas fachadas e platibandas, valorizando a organização, o trabalho comunitário e a reunião: escola, pais e filhos..

Os objetivos:

– Incentivar à conservação do patrimônio histórico e material.

– Repassar técnicas de restauração.

– Resgatar valores identitários da comunidade.

– Incentivar a organização da comunidade em mutirão.

– Reunir pais, filhos, familiares e escola em prol de um objetivo comum.

– Identificar lideranças na escola e na comunidade.

– Repassar noções e conceitos de programação visual, levando em consideração as cores e a geometria de cada casa.

Ruinas que empoderam

O empoderamento social nos Pontos de Cultura deve ser entendido enquanto processo pelo qual podem acontecer transformações nas relações sociais, culturais, econômicas e de poder. Ao concentrar sua atuação nos grupos historicamente alijados das políticas públicas, o Ponto de Cultura potencializa iniciativas já em andamento, criando condições para um desenvolvimento econômico alternativo e autônomo, de modo a garantir sustentabilidade na produção sociocultural das comunidades.

inscrições encravadas no vale ponto de partida para a criação do memorial - foto: AUGUSTO PESSOA

Isto é empoderamento.

E empoderamento pela força das idéias e pelo protagonismo da juventude.

Alemberg e sua esposa, arqueóloga, nem moram mais na cidade (se bem que sempre estão por perto), mas o Ponto de Cultura Casa Grande está cada vez mais forte. Com o tempo a notícia se espalhou e vieram os turistas: 3 mil por mês. Visitam as pinturas rupestres, as cachoeiras, a cultura do sertão e, principalmente, a experiência da Casa Grande.

Uma nova economia surge em Nova Olinda. Era preciso abrigar os turistas, criaram-se hospedarias familiares. O artesanato de couro revigorou-se, alguns adultos voltaram e houve mais renda para a cidade – bem distribuída, porque é repartida entre muitas famílias. E a casa malassombrada foi fazendo com que os moradores gostassem mais de si e de sua cidade, encontrando o seu lugar no mundo, cujo centro estava ali mesmo.

Como contactar e saiba mais:

www.fundacaocasagrande.org.br

Rua Ratisbona Nº 564 – Crato – CE

CEP: 63140-000

Fone/Fax (88) 3521-8133

E-mail: contato@fundacaocasagrande.org.br

SEDE

Fundação Casa Grande Memorial do Homem Kariri

AV. Jeremias pereira Nº 444 – Nova Olinda – CE

CEP: 63165-000

Fone/Fax (88) 3546-1333

Fontes:

REvista Raiz

RUÍNAS QUE EMPODERAM. . – POR CÉLIO TURINO

Matéria sobre expedito Seleiro – O artista do couro

Fotos que fiz em minha visita á Fundação Flickr Celophanico

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